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SINGULARIDADES

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Sab | 28.12.19

“Seducing the boys club” ou “O clube do Bolinha

A alentejana

Quando iniciei este blog tinha como intenção falar também sobre feminismo, sobre as lutas que as mulheres travam, seja no âmbito profissional seja no âmbito pessoal. Pelo menos falar sobre as minha lutas ou, não sendo as minhas lutas, pelo menos o meu ponto-de-vista.

Não fiz nada disso e este blog na verdade não é sobre nada mas está muito bom assim. É um blog para mim onde de momento me limito a registar as leituras e as viagens que faço. Não é que sejam muitas e na verdade nem essas tenho conseguido registar.

Não me apetece fazer publicidade do blog a amigos / conhecidos. Gosto deste anonimato, se bem que seria muito fácil identificar-me, deixei de me preocupar com isso mas é também a razão pela qual filtro muito do que aqui registo. Talvez seja a razão pela qual tal não tenha escrito nada sobre trabalho.

Não é que o vá fazer agora mas há que reconhecer que a minha curiosidade sobre este livro se deve muito à minha situação profissional.

Em contexto profissional sempre estive mais rodeada de homens do que de mulheres. E logicamente que num ambiente desses contam-se pelos dedos as mulheres que estão em cargos de chefia. Se por um lado os tempos têm mudado permitindo ver mais mulheres em lugares de destaque também é verdade que sinto cada vez ser mais difícil chegar a essas lugares. Vem sempre a conversa da meritocracia o que para mim é o mesmo que dizer que as mulheres não tem mérito. Como se todos os homens que estão em lugares de chefia tivessem mérito ...

Não me interpretem mal, lógico que queremos pessoas preparadas e que, sim, tenham mérito, no entanto homens e mulheres têm de provar coisas completamente diferentes. As mulheres são promovidas DEPOIS de provarem que são capazes, os homens são promovidos com base no potencial que têm. Os homens ( alguns, sejamos justos - eu acrescento a maioria...) ficam preocupados com o facto de cada vez se falar mais de feminismo, li algures uma frase que dizia que entendia isso pois eles assumiam que isso significa que as mulheres, tendo poder, passam a governar os homens como estes governam as mulheres. Daí terem medo.

Feminismo não é nada mais nada menos que direitos e deveres iguais, independentemente do género. No que diz respeito ao mundo empresarial eu diria que devíamos impor os mesmos padrões ou exigir aos homens o que exigimos às mulheres. É que as mulheres têm provar muito da sua capacidade para conseguirem um lugar de poder. E julgo que não haverá dúvidas do mérito dessas poucas que conseguem lá chegar. Assim teríamos a certeza que, no que respeita aos homens seria igual, e aí sim podíamos dizer que a meritocracia é que ditava as regras.

Neste momento funciona tudo como o “clube do bolinha” em que “menina não entra”. Os jantares, almoços, reuniões fora do ambiente de trabalho, as marcações para um qualquer desporto, as discussões futebolistas, de um modo geral tudo vetado a mulheres, ou pelo menos à maioria das mulheres. Como se gostar de carros ou futebol fosse menos fútil do que gostar de malas e sapatos.

Foi a pesquisar as imagens que eu tinha na minha cabeça da BD da Luluzinha e do “Clube do Bolinha” com a inscrição de “menina não entra”, que eu cheguei a este livro o “Seducing the boys club - uncensored tactics from a woman at the top” de Nina DiSesa. O livro é a história da autora, uma executiva americana e o caminho que percorreu para chegar ao topo de uma das maiores companhias de publicidade, sendo a primeira mulher a consegui-lo. O Subtítulo do livro – Uncensored tactics from a woman at the top” deixou-me curiosa e descarreguei para ler.

Tenho “mixed feelings” relativamente ao livro, anotei algumas partes (que não deixam de ser lugares comuns) mas por outro lado não me revi na história da autora, no caminho que ela percorreu e muito menos na facilidade com que ela advoga que devemos seduzir os homens com que trabalhamos. Ela diz isto, não com cariz sexual, mas mais como uma manipulação. A palavra é forte, ela reconhece e sugere que se pense que estamos sim a influenciar. Chamou-me a atenção casos em que ela descrevia que se portava como a mãe deles!?!!! WTF?

A partir de determinada altura a leitura era mais na diagonal do que propriamente uma leitura séria e interessada.

O livro fez-me pensar, eu não quero “seduzir o clube do Bolinha” , não quero fazer parte de um clube onde não me identifico com as pessoas que o compõem. E isto não tem nada a ver com género e sim com valores. Por vezes temos de fazer esforços para conseguirmos algumas coisas, mas há esforços que não valem a nossa sanidade mental. Prefiro sim ter o meu próprio clube.

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