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SINGULARIDADES

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Ter | 02.06.20

Uma dúzia de livros - so Far

A alentejana

 

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Este ano tenho um desafio de leitura bastante desafiante mas a quarentena até veio ajudar. Ao contrários do que aparentemente tem acontecido com a maior parte das pessoas, levei este afastamento também para as redes sociais. Menos tempo no Telemovel, mais tempo com os livros.

 

Vamos lá então ao registo, sim que isto não vai passar de um registo, das leituras até à data no |âmbito do desafio “Uma dúzia de livros”.

 

Escrevi sobre o livro de Janeiro aqui.

Vamos aos restantes:

 

 

Fevereiro - livro autor favorito

Memorial Convento, José Saramago

 

 

Aparentemente  o mês de Fevereiro não é um bom mês para ler, pelo menos para mim. Já no ano passado demorei muito tempo a ler um livro e este ano foi igual. Não sei se tenho um autor preferido mas sem dúvida que José Saramago estará entre os preferidos. Gosto da imaginação dele, do desenrolar de histórias a partir de ideias tão simples. Gosto da escrita e não acho difícil, nem complicado. Ainda assim a leitura deste “Memorial tão convento” não foi escorreita. Demorei muito tempo a ler o livro, nem sempre me apetecia pegar nele. Fevereiro foi um mês um pouco estranho e se há livros que lemos pela história, e são fáceis de ler, do ponto de vista da escrita, já o mesmo não se pode dizer de Saramago.

A sensação que eu tenho com a escrita de Saramago é que é muito mais que a história que nos conta, é a própria escrita, o jogo de palavras. E não é que seja difícil mas há que ler com outra atenção, saborear a escrita em si, ter prazer nela. 

 

Mal comparando é como desanuviar um pouco vendo uma comédia romântica, que não nos faça pensar ou ver um outro filme com mais substância, que nos obriguei a pensar e cuja história e personagens fiquem connosco ainda algo tempo.

 

Não foi / é o meu livro preferido de Saramago, tinha-o aqui por casa e era uma lacuna na minhas leituras que estou contente por ter preenchido.

 

 

 

Março - Livro favorito de alguém que gostes

Admirável mundo novo, Aldoux Huxley

 

Este era também um dos livros que estava na minha lista para ler há algum tempo. Aqui esta algo que tenho de agradecer à Rita da Nova, dinamizadora deste Club e desafio “Uma dúzia de livros”, pois tem-me permitido ler livros que, por muita vontade que tivesse de os ler, acabam sempre por ficar esquecidos. Este ano até tinha um desejo (não posso dizer objectivo ) que passava por, dentro deste desafio de leitura, ler livros que tivesse cá por casa. Este “Admirável mundo novo” era um desses.

 

 

Este livro é bastante conhecido e, sendo uma distopia, eu achava que não iria gostar. Estava enganada e ainda bem. Achei o livro muito fácil de ler e é curioso pensar que o livro foi publicado pela 1a vez em 1932. Aldoux Huxley imaginou esta história, esta “parábola fantástica sobre a desumanização dos seres humanos” há quase 100 anos. O mundo não é exactamente como ele o imaginou no entanto n\ao está tão longe assim da realidade.

“Desde a publicação deste livro, o mundo rumou a passos tão largos na direcção errada que, se eu escrevesse hoje a mesma obra, a acção não distaria seiscentos anos do presente, mas somente duzentos. O preço da liberdade, e até da simples humanidade, é a vigilância eterna” Aldoux Huxley. 

 

 

 

Abril - livro vencedor de um prémio 

O Amante - Marguerite Duras

 

Verdade seja dita que a quarentena me “obrigou “ a fazer uma selecção mais cuidadosa aos livros que tenho na minha estante. De contrário de certeza que estaria a comprar mais livros. Assim, tive de me “contentar” com o espólio cá de casa. E foi assim que surgiu este “O amante” de Marguerite Duras. Vi o filme há uns bons anos e sei que gostei bastante do filme, já com o livro não tive a mesma sensação. Não que não tivesse gostado mas achei-o um pouco confuso. 

O livro é considerado o mais autobiográfico da escritora e conta a história da “iniciação sexual de Duras, com quinze anos, com um chinês rico de Saigão. Se as personagens e factos são verídicos, a história não se sabe até que ponto é verdadeira. Os encontros amorosos são, ao mesmo tempo, intensamente prazerosos e infinitamente tristes; a vida da família contrapõe amor e ódio”

O livro foi vencedor do prémio Prix-Goncourt, um prémio literário de França.

 

 

 

Maio - Um livro de um autor português 

Eliete - Dulce Maria Cardoso

 

E chegámos à primeira compra, no âmbito deste desafio de leitura, pois sem contar com este desafio digamos que tenho dado bastante uso ao cartão. 

Há algum tempo que queria voltar a ler Dulce Maria Cardoso e este “Eliete” sempre me vinha parar às mãos, mas fui conseguindo conter-me nas compras. Com o tema de Maio, nem pensei duas vezes. E nesta segunda incursão na escrita de Dulce Maria Cardoso, não me desiludi. A história de Eliete é a história de uma mulher (de meia idade, o que me custa escrever isto), que está numa fase da vida de questionamentos. Casamento de uns anos, filhas já criadas, trabalho de merda que não a satisfaz, o dia-a-dia sempre igual. Anyone feeling the same?

A escrita de Dulce Maria Cardoso é escorreita, e a história prende, este é um daqueles livros que eu tinha dificuldade em largar. 

 

“Como é que eu podia explicar à mamã que o problema não era ela, mas a deformação que o tempo sofria na casa dela? Eu entrava na casa da mamã e o tempo tornava-se um mecanismo tosco, como se alguém o esculpisse em fisga, eu à mercê dessa fisga, eu munição contra mim mesma, a ser puxada para trás no tempo e depois atirada, desprotegida contra o presente, onde via todos os meus erros e fracassos.”

 

“Meia-idade queria dizer o quê, que já não tinha muito a perder nem a ganhar? A primeira metade da minha vida estava gasta e faltava-me, se tudo corresse bem, a metade do ocaso. Meia-idade também significava, no que me dizia respeito, que a minha vida era o resultado das decisões de há muitos anos, significava que eu nunca mais a repensara, que a inércia, o hábito e o medo do desconhecido haviam feito com que eu tivesse aceitado, muitas vezes sem dar conta, os carris por onde seguia. Na meia-idade, o tempo das escolhas já tinha passado, escolher pertencia à adolescência, ao início da idade adulta (…). Agora já nada havia para escolher nem para decidir, a vida estava embalada, não era fácil travá-la, não era fácil desembrulhá-la.”

 

 

 

 

Junho - Um livro adaptado ao cinema /TV

O Fiel Jardineiro - John Le Carré

 

E sim, em 31 de Maio terminei o livro de junho. Esta não tinha sido a minha escolha inicial, na realidade não me tinha decidido, mas tinha alguns em mente. Mais uma vez este retiro a que nos obrigam levou-me a olhar para a minha estante e descobrir por lá este livro de John Le Carré. Estava junto a uma série de livros que sairam com a revista sábado e que por qualquer razão guardei, achei que um dia iria ler. Por acaso também nunca vi o filme e claro que agora estou curiosa.

 

Gostei do livro, da história mas houve uma altura em que achei que eram detalhes a mais. Ainda assim tiro o chapéu ao escritor, nunca tinha nada dele.

A história:

“Justin Quayle é um funcionário do Foreign office destinado no Quénia. A morte da sua mulher, Tessa, ocorrida em misteriosas circunstâncias, incita-o a iniciar por si próprio uma investigação para esclarecer o caso. Justin remonta passo a passo o caminho que conduziu à morte da sua esposa, uma atrevida activista de organizações humanitárias, e durante as suas pesquisas vai descobrindo cada um dos fios de uma trama internacional de corrupção, em que os interesses duvidosos de políticos e burocratas se emaranham com as lucrativas acções sem escrúpulos da poderosa industria farmacêutica.